Lista
dos 10 melhores e 5 piores shows mais marcantes

Neste
ano, a décima segunda edição do Lollapalooza
reuniu 240 mil pessoas no Autódromo de
Interlagos, em São Paulo, somando os três dias
de festival: sexta (28), sábado (29) e domingo
(30). Nos últimos anos, esta foi a edição com a
programação menos diversa, embora com seqüência
divertidas de shows e uma deliciosa sensação de
ter que escolher uma atração e perder outra.
Festival é isso.
O
line-up foi muito focado em pop, rock e
eletrônico, principalmente com atrações donas
de hits virais do TikTok e do Instagram. Essas
novidades que ainda tentam se firmar são muito
bem-vindas, é claro. Mas não seria possível
conciliá-las com artistas mais estabelecidos e de
outros estilos? Rap, funk e música latina, por
exemplo, tiveram poucos representantes.
Não
por acaso, dois dos melhores shows deste ano foram
de artistas que fugiram do básico: Michael
Kiwanuka (soul) e Ca7riel & Paco Amoroso (rap
latino).
Os
melhores do Lollapalooza 2025
10º)
Jão
Jão
fechou um ciclo na carreira do cantor. Em 2022,
quando ele se apresentou pela primeira vez no
mesmo festival, sua performance com coros gigantes
surpreendeu quem, naquela época, ainda colocava
em dúvida sua popularidade. Agora, o cantor de 30
anos voltou ao evento como um fato incontestável
no pop brasileiro. "Eu sou um popstar",
ele atestou diante de uma multidão, antes de um
cover um tanto atrapalhado de "Linger",
dos Cranberries. "E, porque sou um popstar,
decidi cantar essa música só porque eu quero. E
porque é a preferida de uma pessoa que gosto
muito." Para o "até logo". decidiu
privilegiar o álbum "Pirata", de 2021.
Na maior parte do tempo, foi uma apresentação
pensada para os fãs mais dedicados.
9º)
Michael Kiwanuka
Neste
Lolla de atrações pop e rock, coube ao inglês
Michael Kiwanuka fazer o show mais soul do
festival. O músico britânico atraiu um público
de fãs e curiosos. Tinha ao seu favor uma voz
rouca, encorpada, e uma banda habilidosa. Com
quase 15 anos de carreira, o britânico ainda lida
com uma diferença muito grande entre os públicos
de casa e de fora. Tímido, mas talentoso, não
conversou muito e preferiu se comunicar nas
canções. Ele já abriu shows de Adele no início
da carreira e diz ter aprendido com ela a não
deixar a timidez impedi-lo de cantar com o
coração.
8º)
Ca7riel & Paco Amoroso
Foi
surpreendente o engajamento do público que se
reuniu para assistir ao show da dupla argentina
Ca7riel & Paco Amoroso. Os dois têm carreira
recente (o primeiro disco saiu em 2024), estão
longe de serem celebridades fora de sua terra
natal e o Brasil é conhecidamente um país
difícil para quem canta em espanhol. Não que
eles tenham atraído uma multidão. Mas quem
estava lá dançou, gritou e, sobretudo, prestou
atenção. Acredite: isso não é algo tão comum
nas apresentações de artistas menos conhecidos
em festivais como o Lolla em muitos casos, o que
se vê é uma plateia inteira mexendo no celular.
7º)
Olivia Rodrigo
Olivia
Rodrigo comprovou seu status de ídolo jovem e
emocionou fãs com seu show divertido e abarrotado
de gente, a maioria jovens de idade escolar com
seus pais. Ser headliner aos 22 anos é um grande
poder e uma grande responsabilidade. Ela provou
que se alguém tem tamanho para isso, é ela.
Apesar da empolgação e do inegável talento,
Olivia ainda não dominou totalmente a parte
vocal. Em músicas mais lentas, como “Traitor”,
cantou bem; mas se atrapalhou em faixas mais
agitadas como “Love is Embarrassing”, quando
fez coreografias com as dançarinas e não
conseguiu manter o fôlego.
6º)
Justin Timberlake
Justin
Timberlake mostrou que mantém seu "molho de
popstar", apesar da fase meio flopada. Cantor
de boyband, popstar do momento, badboy nos
holofotes. Ele já foi tudo isso e, agora, vive
uma era que é metade decadente e metade alvo do
cancelamento online. Mesmo assim, ele provou ainda
ter o dom de showman que o levou à fama. O gogó
de Justin continua em dia. Além de ter um vocal
afiado, o músico alinha o talento à escolha de
cantar sem base pré-gravada, algo incomum para
estrelas do pop como ele, que canta dançando de
um lado para o outro do palco.
5º)
Parcels
Quem
foi conferir o Parcels encontrou um dos shows mais
divertidos deste Lollapalooza. A banda australiana
de eletropop ganhou o horário mais cobiçado do
festival, o anoitecer, e honrou a vaga com louvor.
Sem concorrência exceto pelo palco eletrônico, o
grupo foi atraindo um público cada vez maior ao
longo do show. Bastou o comando das linhas de
baixo e a guitarra funk à la Nile Rogers para a
plateia se mexer - daí em diante, a banda não
deixou respiro para pausa. Imagine um filho
musical de Tame Impala com Daft Punk, com coros e
um piano estilo Elton John: esse é o Parcels.
Entre pop, botou um pé psicodelia e outro no
nosso top 5.
4º)
Girl In Red
Girl
in Red, cantora norueguesa de indie pop, cantou
sobre amor entre mulheres com um arco-íris no
Lollapalooza. Com carisma e energia no palco, ela
conseguiu sustentar a empolgação da plateia e
conduzir até mesmo quem estava ali só de
passagem. "Vocês viram o arco-íris? Acho
que os deuses gays estão conosco hoje. Deus é
gay", disse a artista de 26 anos, antes de
cantar "Girls", música sobre uma garota
descobrindo que gosta de garotas. Apesar de estar
com uma infecção forte na garganta, e ter se
desculpado por não estar 100% vocalmente, ela fez
um dos shows mais empolgantes do festival.
3º)
Empire of the Sun
O
Empire of the Sun foi muito além da música. O
duo australiano fez um show altamente sensorial.
Alucinógena, a apresentação veio embalada por
vídeos ultracoloridos, looks extravagantes e
luzes neon. Na terceira vez no Brasil, Luke Steele
e Nick Littlemore levaram seu eletropop para uma
plateia que parecia não conhecer muito de sua
discografia. O momento de maior envolvimento do
público foi em “Walking on a Dream”. Trilha
de muitos virais do TikTok, o hit de 2008 vem
sendo resgatado pela geração Z desde 2024. Tudo
ali era um show próprio: moda, maquiagem,
cenografia e, claro, música. Cada detalhe muito
bem amarrado com a proposta doidona que, no fim,
valeu um terceiro lugar nesta lista
2º)
Marina Lima
Marina
Lima merecia espaço mais nobre em sua estreia no
Lollapalooza. Nome nacional mais experiente da
edição de 2025, a cantora mostrou como anos de
palco fazem diferença num megaevento como esse.
Marina foi escalada para 15h50, bem antes de
estrangeiros iniciantes. Na escala de privilégios
de um festival, o horário é considerado
desfavorável, porque as pessoas ainda estão
chegando e o calor incomoda. Para completar, lidou
com problemas técnicos, e mais de uma vez
precisou pedir que aumentassem o som de sua
guitarra. Apesar dos perrengues, fez o segundo
melhor show do evento, com Pabllo Vittar, cover de
Billie Eilish e uma emocionante homenagem para o
irmão Antonio Cícero (1945-2024).
1º)
Alanis Morissette
Alanis
Morissette botou o Lolla no bolso com um show que
pareceu de uma profissional em meio a atletas do
time sub-15. Em forma, ela mostrou a força de um
setlist dominado pelo álbum "Jagged Little
Pill”, disco de 1995 que vendeu mais de 30
milhões de cópias em todo mundo. Alanis tinha 21
anos quando apareceu fazendo pop rock cheio de
raiva e peso. Agora, aos 50, prova ao vivo que sua
voz continua excelente e o jeito de se apresentar
não mudou tanto assim. Sorte de quem viu ao vivo.
Os
piores shows do Lolla 2025
5º
pior) Benson Boone
Benson
Boone fez sua estréia no Brasil às voltas com o
desafio de provar que é mais do que um
one-hit-wonder de TikTok. Ainda não foi dessa vez
que ele conseguiu: perdido entre um repertório
genérico e uma postura confusa, o cantor de
pop-rock fez um show sem personalidade, apesar dos
bons vocais. Dono de "Beautiful Things",
a canção mais ouvida nas plataformas digitais em
2024, tem técnica, mas falta uma marca ao cantor,
um algo a mais. Sem uma persona artística
autêntica, ele parece não ter decidido se fará
o estilo galã excêntrico, tipo Harry Styles,
galã selvagem, meio Adam Levine, ou galã bom
moço, como Shawn Mendes.
4º
pior) Foster the People
O
Foster the People fez show morno no Lolla com um
setlist que teve uma estranha energia "sobe e
desce". No Brasil pela quinta vez, a banda de
indie rock tocou no palco principal em um bom
horário, mas as expectativas de um sub headliner
não foram confirmadas. Foi uma apresentação que
funcionou só pela nostalgia. Faixas do álbum “Torches”
(2011) deixaram todas as outras ofuscadas. Não
que isso seja uma surpresa. O Foster vive uma fase
meio caída, sem emplacar hits. Ao vivo, provaram
estar bem longe da fase em que eram nome
obrigatório em rolezinhos de indie rock.
3º
pior) Tate McRae
Era
apenas a quarta música de sua estreia no Brasil e
Tate McRae já tinha berrado “WHAT?” pelo
menos dez vezes. Gritar “o quê?” durante as
canções foi apenas uma das formas de tapear o
que agora podemos confirmar: como cantora, Tate é
uma excelente dançarina. A cantora canadense de
21 anos coloca seu 1,72m para jogo na dança, mas
não se arrisca tanto cantando. Mesmo assim,
entrega uma performance divertida e básica. Quem
é fã de pop amou. Quem é um pouco mais exigente
na hora de declarar seu amor por uma diva pop, no
entanto, ficou muito decepcionado.
2º
pior) Shawn Mendes
Shawn
Mendes fez versão "evoluída" do show
no Rock in Rio, mas isso não quis dizer mutia
coisa: o show é morno e irregular para um
headliner de festival. A diferença ficou na
estrutura do palco, bem mais robusta. Enquanto
aquela parecia “improvisada”, esta tinha
cenário, luzes, fogos de artifício e um
bem-vindo telão a mais. Apesar de ter um pai
português e poder arriscar outra canção
brasileira, repetiu a versão de “Mas que nada”
cantada no Rock in Rio. A novidade foi um "a
vida presta", frase meme de Fernanda Torres.
A brincadeira fez fãs rirem, mas o palco
principal não parecia o que Olivia ocupou no dia
anterior. Com muito mais buracos no público,
muita gente foi embora após ver Alanis e não
quis gastar seu tempo com o galã canadense.
1º
pior) Nessa Barrett
Quando
Nessa Barrett assinou seu primeiro contrato como
cantora, ela era uma tiktoker que cantava
direitinho. Quem gastou 50 minutos vendo sua
performance saiu com outra impressão: ela é uma
tiktoker que não canta tão direitinho assim.
Quase todos os vocais são pré-gravados e ela
dubla na maior parte do tempo. Há explicação.
Uma coisa é postar vídeos curtos soltando a voz
ou dublando hits de outros artistas, como ela
fazia por volta dos 17 anos. Outra bem diferente
é entregar um bom show de festival em um horário
nobre, depois das 19h. Uma plateia dedicada, na
maioria mulheres jovens, não se importou com a
pouca desenvoltura da moça de 1,50m e 22 anos.
Animadas, gritaram “Nessa, eu te amo” e “Nessa,
cadê você, eu vim aqui só pra te ver”. Essa
devoção é demais, mas Nessa fez um dos piores
shows da história do festival





























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