A
atriz brasileira ocupará a cadeira 17, na
sucessão do acadêmico e diplomata Affonso Arinos
de Mello Franco, morto no dia 15 de março do ano
passado

A
Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu na
quinta, 4/10, a atriz Fernanda Montenegro
para a cadeira 17, na sucessão do acadêmico e
diplomata Affonso Arinos de Mello Franco,
morto no dia 15 de março do ano passado. Fernanda
era candidata única à vaga e foi eleita por 32
dos 35 votos.
O
presidente da ABL, Marco Lucchesi,
comemorou a eleição da dama do teatro nacional
para a instituição. “É um momento
importante, primeiro pela renovação que se dá
com a eleição na Academia Brasileira de Letras.
É um sinal de novos horizontes. Isso é sempre
importante. Por outro lado, Fernanda é uma grande
intelectual, uma representante importante da
cultura brasileira. Ela já é parte do
imaginário de nosso país e, de alguma forma, ela
talvez nos obrigue a aumentar as cadeiras de 40
para 80. Se trouxer todas as personagens que
amamos, vamos ter que dobrar o número de cadeiras
[da ABL]. Então, vamos ficar com ela, que vale
muito”, disse Lucchesi.
Os
ocupantes anteriores da cadeira 17 foram Sílvio
Romero (fundador), Osório Duque-Estrada,
Roquette-Pinto, Álvaro Lins e Antonio Houaiss.
Fernanda
Montenegro
Fernanda
Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro
Monteiro Torre, nasceu em 16 de outubro de 1929,
no bairro do Campinho, zona norte do Rio de
Janeiro. Atuou em um palco pela primeira vez aos 8
anos de idade, para participar de uma peça na
igreja. Sua estreia oficial no teatro, entretanto,
ocorreu em dezembro de 1950, ao lado do marido
Fernando Torres, no espetáculo 3.200 Metros de
Altitude, de Julian Luchaire.
Na
TV Tupi, participou, durante dois anos, de cerca
de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva
do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro
Brasileiro. Ganhou o prêmio de Atriz Revelação
da Associação Brasileira de Críticos Teatrais,
em 1952, por seu trabalho em Está Lá Fora um
Inspetor, de J.B. Priestley, e Loucuras do
Imperador, de Paulo Magalhães.
Mudou-se
para São Paulo em 1954, onde fez parte da
Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro
de Comédia (TBC). Com o marido, formou sua
própria companhia, o Teatro dos Sete –
acompanhada também de Sergio Britto, Ítalo
Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo
Souto de Almeida. A estreia da companhia fez
sucesso com a peça O Mambembe (1959), de Artur
Azevedo, atraindo centenas de espectadores ao
Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Em
1963, estreou na TV Rio, com as novelas Amor Não
é Amor e A Morta sem Espelho, ambas de Nelson
Rodrigues. Nesse período, na recém-criada TV
Globo, participou da série de teleteatro 4 no
Teatro (1965), dirigida por Sérgio Britto. Em
1967, também integrou o elenco da TV Excelsior,
interpretando a personagem Lisa, em Redenção, de
Raimundo Lopes.
Ao
longo da carreira, Fernanda participou também de
minisséries como Riacho Doce (1990), Incidente em
Antares (1994), O Auto da Compadecida (1999) e
Hoje é Dia de Maria (2005).
Em
1999, Fernanda Montenegro foi condecorada com a
maior comenda que um brasileiro pode receber da
Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem
Nacional do Mérito “pelo reconhecimento ao
destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”.
Na época, uma exposição no Museu de Arte
Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50
anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos,
recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de
Tribeca, em Nova York, por sua atuação em O
Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein.
Fernanda
Montenegro completou 92 anos de idade no dia 16 de
outubro. Considerada uma das melhores atrizes do
Brasil, Fernanda foi a primeira latino-americana e
a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor
Atriz por seu trabalho em Central do Brasil (1998).
Foi, ainda, a primeira brasileira a ganhar o
Emmy Internacional na categoria de melhor atriz
pela atuação na série Doce de Mãe, da TV
Globo, em 2013.

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